sábado, 6 de maio de 2017

Voltou a Primavera




     

Mais um sábado feliz
Subo a escada devagar,
Cor-de-rosa as sardinheiras
Atraem o meu olhar.

E ainda as há vermelhas
No canteiro mais atrás.
Cheia de florzinhas brancas
A relva também me apraz.

As formigas no carreiro
A transportar seu sustento
Mais pesado do que elas,
Bagos, palhas, alimento!

Piso os degraus com cuidado
Para não as magoar.
Ouço os passarinhos perto,
Não se cansam de cantar.

Lá no topo cada melro
Corre quando me pressente.
Amena a temperatura
Suaviza o ambiente.
 
Maria da Fonseca


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sábado de Verão




Linda, pura, transparente,
Chegou hoje a manhã,
É como um belo presente
Que eu agradeço, cristã.

É mais um dia de vida
Que o Senhor me oferece,
Também há arve florida
E outra que a maçã guarnece.

De plumagem azulada,
Alegres as andorinhas
Volteam em debandada
Rápidas, dando às asinhas.

O Sol está agora a pino
Brilhando rei e senhor,
As sombras como o destino
'Stão mais nítidas, amor.

Cigarras fazem-se ouvir
A preverem dia quente,
Nosso sábado a sorrir
Desde o nascente ao poente.
 
 
Maria da Fonseca

domingo, 7 de agosto de 2016

Baía de Cascais à Noite




O contorno da baía
Vê-se todo iluminado,
A noite está transparente,
O mar parece encantado!

A cidade à beira-mar
Espelha-se na água viva,
Nós, que amamos quanto vemos,
Sonhamos que nem cativa.

O céu negro sem a lua,
Pleno de estrelas fulgentes,
Cúpula de belo quadro
Que seduz todas as gentes.

Turistas de origens várias
De carro vão 'strada fora,
As suas luzes acesas
Movem-se àquela hora.

O farol vermelho ao longe
Faz sinal ao mareante.
É Santa Marta em Cascais,
Noite de v'rão deslumbrante!

Magnífico panorama
Difícil de descrever,
Minhas palavras não chegam
Por tanta beleza haver!
 
 
Maria da Fonseca


domingo, 19 de junho de 2016

No Rossio Eram Gaivotas - Livro de poesia de Ilona Bastos

 

                                    No Rossio Eram Gaivotas
 
Consegui, finalmente, reunir os poemas escritos na Primavera e no Verão - poesia optimista, a festejar a chegada do bom tempo e do estado de espírito que consigo traz.
Não foi fácil. A verdade é que o Outono e o Inverno sempre me foram mais inspiradores. Os estados mentais de tonalidades sombrias, mais frequentes e complexos, induziam-me à introspecção. Servia, então, a escrita, como um lenitivo. Com ela desabafava tristezas, identificava causas, analisava questões, retirava conclusões. 
Já a felicidade e a alegria, apesar de mais difíceis de alcançar, tornam-se simples na sua expressão escrita. Raramente me obrigo a analisar o que me causa contentamento. Prefiro abandonar-me e viver o momento, usufruir desse estado mental que sinto gratificante.
Por outro lado, é também delicado alinhar, de forma lógica e consonante, poesia escrita com muitos anos de diferença e até em estilos diversos.
Há, no entanto, um denominador comum que perpassa todos os textos e torna possível a sua convivência pacífica - aquilo que de mais perene existe em mim e que, com a evolução própria da maturidade, vou agora identificando: a sistemática procura de respostas para as dúvidas mais profundas, a busca de paz interior e de harmonia com o mundo.
No estádio actual da minha vida, em que a espiritualidade, a busca de paz e de felicidade constituem notoriamente o cerne do meu interesse, o estado mental de grande parte desta poesia é-me familiar e até reveladora. 
Surpreendentemente, parece-me que só agora compreendo o que então escrevi levada pela intuição ou inspiração. Como se o passar do tempo fizesse levantar o véu que cobria aqueles versos, conferindo-lhes maior nitidez.
Na verdade, nunca deixo de me espantar com o facto de as mesmas palavras e frases terem significados diferentes, a tantos níveis, podendo ser interpretadas diversamente conforme a identidade e o estado de espírito do destinatário!
A capa foi outra questão muito estudada. Tentei várias versões e submeti-as ao veredicto público (a família, a quem agradeço muito a paciência e o apoio!). 
Venceu, por maioria altamente qualificada, esta capa de azulejos, a condizer com as imagens no interior do livro. Trata-se de ilustrações relativamente recentes, que sempre tive em mente passar ao papel quando tivesse oportunidade. Sabia que já havia desenhado algo semelhante na minha juventude, mas fiquei realmente surpreendida ao encontrar "azulejos" destes (exactamente assim) desenhados nas últimas páginas dos meus cadernos do liceu e da faculdade (alguns com quarenta anos!).
Enfim, interior e capa concluídos, registos feitos, posso dar esta missão como cumprida.  "No Rossio Eram Gaivotas" está nos escaparates da Amazon, lançado para o Mundo.
Espero que gostem!

Ilona Bastos

No Rossio Eram Gaivotas

 .

  

terça-feira, 14 de junho de 2016

Parabéns ao meu Marido - 11 de Junho


       
Lindo o dia , meu Amor,
 
O do teu Aniversário,
 
A orquídea toda em flor,
 
Parabéns do bastonário.
 



Há alegria no lar,
 
Abraços e muitos beijos,
 
A família a te agradar
 
Com presentes e festejos.
 



Os amigos não te esquecem,
 
Têm palavras sinceras
 
Que o teu coração aquecem,
 
Saudar tuas primaveras.
 



Tal como nos outros anos,
 
Tens o teu ramo de cravos
 
Vermelhos e muito ufanos
 
Na jarra de belos favos.
 



E o manjerico presente,
 
O de folha pequenina,
 
Tem um cravo evidente
 
Com uma quadra junina.
 



Parabéns ao meu marido
 
Neste dia precioso,
 
O futuro, meu querido,
 
Pra nós seja generoso.

 
 
 
Maria da Fonseca

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Maio Incerto

 

 

Volta a ser a natureza
O meu tema preferido,
Cantar a vossa lindeza
Embora o clima sofrido.

A chuva, uma constante,
E do inverno, o frio
Invade-nos de rompante
E causa-nos arrepio.

Nuvens correndo no azul
Trazidas por forte vento,
Parece virem do sul
Lestas que nem pensamento.

Esta é a primavera,
As árvores estão mais altas,
As folhas, como se espera,
Revestem-nas sem ter faltas.

De variados matizes
Se apresenta sua cor,
Belas, viçosas, felizes,
Aguardamos tenham flor!

Nosso maio 'stá assim,
Plantas tardam a florir,
Espontâneas no jardim
São as que vemos sorrir!
 
 
Maria da Fonseca